sábado, 26 de julho de 2014

Abrindo comportas na economia -- irrigação ou inundação?

por Ricardo Goldbach

Não sou economista, mas de vez em quando me pego pensando nos humores dos nossos dinheiros. Melhor dizendo, naqueles que determinam os humores dos nosso dinheiros.

Como dizia Goulart de Andrade, vem comigo: os bancos são obrigados a depositar no Banco Central um percentual específico dos depósitos à vista. Dessa forma, o governo controla a liquidez da economia brasileira, com injeção ou retirada de recursos. Figurativamente falando, trata-se de um "pulmão", que encolhe ou expande na medida da necessidade.

Mas vai que nesses tempos de inflação em disparada, de juros recordistas, de economia em contração e de população endividada (e de urnas à vista, não nos esqueçamos), que tipo de genialidade nos é apresentada? Abrem-se hoje as comportas do pulmão, injetando R$ 45 bilhões... inicialmente, nos bancos. Os bancos emprestarão esse novo dinheiro, a juros altos, a uma clientela endividada e aflita com a inflação, para...

... "para aquecer a economia, pois os juros deverão cair", dizem os tecnocratas e a mídia amestrada. "Entrará dinheiro na economia, com aumento do consumo, com o consequente reaquecimento das indústrias, que gerarão empregos para empregados que comprarão mais, com o que ensejarão aumento de recolhimento de impostos..." Só faltou combinarem com os russos, porque esse esquema tático pode embolar o meio de campo e beneficiar apenas...

... apenas a indústria do ágio oficializado, dos bancos que exibem lucros sempre crescentes, quer sob gestão FHCista, quer Lulista. Para que essa indústria seja a primeira a se reanimar. Depois virão os empréstimos para pessoas físicas ("se a parcela couber no bolso, pago os juros que forem") e jurídicas ("é isso, encolher, ou – pior --, fechar as portas"). Tipo pirâmide, entende? Quem entra por último nunca se dá bem. Como dizem os analistas de economia, quando não têm o que dizer, resta esperar para ver o que acontece.


sábado, 12 de julho de 2014

Praticamente tudo já foi dito sobre a Seleção do Felipão

mas me ocorrem uns drops sobre a Selecinha do Felipinho

por Ricardo Goldbach

Logo de cara, gol contra

Dizem que aos dois minutos do 1º tempo van Persie bate um pênalti e marca o 1º gol da Holanda. Para mim, foi gol contra de Thiago Silva, pela leviandade, pela imaturidade, pela molecagem de ter puxado a camisa de van Persie a centímetros da entrada da grande área.

Piada pronta

Ao 16 minutos, em bela finalização, Daley Blind marca o 2º gol da Holanda. Está tão fácil bater no Brasil, que até cego faz gol.

Humilhação

Enquanto escrevo, durante o intervalo da partida, a seleção holandesa está no vestiário e com todo o direito de sentir-se humilhada. Afinal de contas, só 2 x 0?

Substituições

Um jogador contundido ou que tenha rendimento baixo é substituído durante o jogo; juíz e auxiliares, imagino, devem ter backup, pois também pode acontecer de se machucarem com gravidade. E quanto a um técnico como o Felipinho, que vê qualidades, boa campanha e bons resultados onde ninguém mais vê? Não deveria poder receber cartão vermelho, dando lugar a um técnico do banco?

Os Céus me pouparam

Mal começa o 2º tempo, cai a Net. Que Cristina Kirchner, conterrânea do Papa, nos proteja a todos. 

Vaias

A Net volta a tempo de eu ver o time do técnico Luiz Felipífio Scolari receber as merecidas vaias pelo 3 x 0 que a Holanda escreveu no placar. Vaias essas que partiram da mesma "elite branca" que vaiou a presidente Dilma, essa que finge que não é branca, muito menos elite. Afinal, todos sabem que pobre não pode assistir final de Copa no Maracanã, por maior que seja o apagão moral do PT, time composto por uma elite de brancos -- e asseclas de outros partidos, de todas as cores e credos morais -- que insiste em fingir que não ouve a vaia das ruas.

Sem ilustração

Este post vai sem ilustração. Não há o que ilustrar.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

O depois não existe

sobre Ivan Junqueira e Dylan Thomas

 por Ricardo Goldbach




Há cerca de dois anos, revisando a tradução legendada do filme “A Love Song for Bobby Long”, empaquei com o texto do tradutor. Em dado momento, Bobby, interpretado por John Travolta, recita o poema “To Others than You”, de Dylan Thomas, cujos versos iniciais são:


Friend by enemy I call you out.
You there, with a bad coin in your socket,
You my friend there with a winning air
Who palmed the lie on me when you looked
Brassily at my shyest secret

No 2º verso, o tradutor escreveu “Você aí, com pés de barro”, mas não fiquei convencido. Tudo indicava a possibilidade de tratar-se de uma expressão idiomática – regional ou não –, mas “pés de barrro” soou longe demais.

Googlei possíveis significados da expressão, e a maioria de blogs e sites de legendagem amadorística reproduzia os tais “pés de barro”. Não satisfeito, resolvi consultar tradutores (com “T”) que tivessem se debruçado sobre a obra de Dylan Thomas.

Busquei e encontrei o acadêmico Ivan Junqueira (cadeira 37 da ABL), crítico, poeta e tradutor consagrado de Dylan Thomas e Baudelaire, que havia transposto aquele verso para “Tu com tua falsa moeda”. Apesar de o dever profissional me impôr aceitar a tradução de Ivan, eu ainda não estava satisfeito.

Fui atrás das origens de Thomas, nascido no País de Gales, e descobri que em pequenas cidades galesas diz-se que não adianta tentar se livrar de uma moeda desgastada ou defeituosa (a bad coin), pois ela sempre voltará: é usada para pagar a conta da padaria, o padeiro usa-a para pagar o leiteiro, que por sua vez paga o sapateiro... Em algum momento, a moeda retorna à origem. Não adianta insistir; ela sempre volta, por mais indesejada que seja. É uma boa imagem, essa, que tanto pode estar por trás do verso de Dylan, como pode não estar.

O fato é que somente graças à Internet eu pude conhecer o dito popular galês. Ainda me resta dúvida quanto ao porquê de “socket”, mas isso são outros quinhentos. Ocorreu-me então que, como não havia Google à época da tradução de Junqueira, seria interessante conversar com ele sobre repensar traduções literárias consagradas, dessa vez à luz das pesquisas hoje viabilizadas pela Internet, em busca de revisões plausíveis.

Sempre pensando em expôr minha ideia a  Ivan, não o fiz. Nem o farei mais; os jornais informam que Ivan Junqueira se foi, neste 3 de julho de 2014. 

Me dou conta de que, se o “ótimo” é inimigo do “bom”, o “depois” é o inimigo do “para sempre”.


quinta-feira, 15 de maio de 2014

Manifestação popular é briga de torcida, ex-querdista Emir?

por Ricardo Goldbach

Os "vira-latas" a que o twiteiro se refere são manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto de São Paulo.

É sinal dos tempos ver o emir ex-querdista não sader o que diz. É sinal dos tempos ver a base alugada se enraivecer (isso está planejado no tal "discurso do medo"?).




quarta-feira, 14 de maio de 2014

Rio voa? Voa, sim senhor

por Ricardo Goldbach

Desde sempre (mas daqui a pouco não mais) a umidade do ar amazônico é carregada pelo vento para outros cantos do Brasil. Resultante da evaporação das águas do rio Amazonas e do ar úmido da floresta, essa massa de ar, equivalente à própria vazão do rio Amazonas e conhecida como "rio voador", é transportada para o sul, pelos ventos, e acaba favorecendo a ocorrência de chuvas nas regiões que atravessa. Com o antológico e criminoso desmatamento da Amazônia, no entanto, o rio voador tende a não decolar mais, parando de irrigar nossos céus.

Fica claro, então, que o quadro de desabastecimento de água e energia que agora se vê em São Paulo nada tem a ver com categorias ideológicas tais como "picolé de chuchu" e "quatro dedos", como as massas alugadas teimam em bradar nos feicebuques da vida. O esvaziamento das represas paulistas não tem solução à vista nem a prazo -- Cantareira vai continuar a ser motivo de choradeira, enquanto criminosos engravatados continuam a patrocinar a transformação de madeira amazônica em dólares cuja origem a Polícia Federal tenta rastrear, no Maranhão e arredores, mas é impedida de descobrir.


Como diz a doutora sem doutorado que preside o Brasil, "a pasta de dente saiu do dentifrício". A festa acabou, agora é tarde demais para reverter o quadro. Qualquer quadro, melhor dizendo.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Galaxy S3 Mini storage and battery drain issues [solved]

by Ricardo Goldbach


Revisiting the Android scene after a sabbatical year, I replaced my dust gathering Xperia X10 Mini Pro (a nano device when compared to the name length) by a Samsung Galaxy S3 Mini. For starters, rooting a stock rom is nowadays a breeze. Among plenty of kits available out there I picked Mark Skipper's (includes Odin for ADB and an interactive shell script), well worth the donation.

Next step was to find out who "the man" was when it comes to porting CyanogenMod versions to particular devices (I miss Paul, a whiz-kid in the Sony Ericsson scene). Browsing XDA-Developers, I opted-in for Maclaw's porting shop. Older versions of Jelly Bean available, I took the memory lane up to the present, beginning with the Jelly Bean 4.1.2 (CM 10.0). Among a few bugs, some battery drain issues and the vicious "insufficient storage available" message after installing a few apps.

The S3 Mini doesn't allow moving apps to the external card, as the internal 8GB memory space is split in two halves, one of them being an emulated external memory card (go figure why...). Traditional apps (Link2SD and it's likes) can't do their tricks here: they don't know how to handle this anomalous external slot.

No remedy came out from browsing some forums; lots of naive suggestions as "get yourself a 32GB card", "wipe Dalvik cache" or "uninstall some apps" are there. The ubiquitous "reformat and reinstall everything" silver bullet also has lots of fans, but... no can do.

Good thing is both battery drain and insufficient storage issues have workarounds. Roy True posted an ingenious solution here as for the storage problem, and I solved my particular battery drain issue by myself, through managing a surfaceflinger service side effect, and also by some fine grain tuning provided by System Tuner. More on this later.

PS: I'll stick to the stable and responsive Maclaw's KitKat 4.4.2 (CM 11.0) despite the ever growing Google agenda on disregarding privacy issues. But... yes can do.

Edit:

A step by step solution for the storage issue can be found here.

Galaxy S3 Mini - armazenamento insuficiente e descarga de bateria [resolvido]

Ricardo Goldbach

Depois de um ano sabático, volto a usar o Android. Em vez de retomar de onde parei, no Sony Ericsson Xperia X10 Mini Pro (o nome é maior que o aparelho), vou de Samsung Galaxy S3 Mini. Logo de cara, me dei conta de que rootear não dá mais o trabalho que dava -- virou uma brincadeira de criança, com o kit do Mark Skippen, da SkipSoft, por exemplo. Valeu a doação que fiz. 


Com a stock rom rooteada, gastei algumas horas no XDA-Developers para saber quem era "o cara" da vez, na cena de ports do CyanogenMod para Samsung. Gostei muito do trabalho do Maclaw, que até se dá à pachorra de continuar polindo versões mais antigas do Android. No site maclaw.pl é possível baixar o Jelly Bean 4.1.2 (CM 10.0), por exemplo.

E foi por esse JB que comecei, para logo descobrir alguns problemas sérios (no CM e no Samsung, não no port do Maclaw). Os mais comuns são a rápida descarga da bateria (principalmente durante a carga!) e a infame mensagem de "insufficient storage available" depois da instalação de apenas uns poucos aplicativos.

Contornar a restrição de espaço por meio da instalação de aplicativos no cartão externo é uma (aparente) impossibilidade, pois o GS3 emula um cartão externo através de memória instalada na placa-mãe, e aplicativos dedicados à migração (como o Link2SD) recusam-se a montar um "segundo" slot externo para fazer a transferência.

Nenhum dos palpites encontráveis em páginas de discussão ajuda muito quanto a esse segundo obstáculo, tais como "instale um cartão de 32GB no slot externo", "reconstrua o Dalvik cache" e o indefectível "reformate tudo e reinstale o Android", que é a melhor sugestão para quem só conhece essa, passando pelo ingênuo "desinstale alguns aplicativos".

A parte boa é que o problema de espaço tem uma engenhosa (e prosaica) solução, que descobri num post bem humorado do Roy True, e, quanto à bateria, resolvi sozinho meu problema: o serviço chave é o surfaceflinger, e o System Tuner fez o resto. Mais sobre isso em outro post.

PS: o KitKat é show de bola; vou ficar na 4.4.2 (CM 11.0) do Maclaw, em que pesem os crescentes aspectos negativos relacionados à privacidade do usuário. Mas isso é coisa que tem jeito.

Editado:

O passo a passo para a solução do problema de armazenamento está aqui.





domingo, 12 de janeiro de 2014

Bakunin, Brasil e "Brigas" políticas -- O BBB de 2014

Princesa Cristina anunciou que vai depor na Espanha sobre fraude fiscal e lavagem de dinheiro
por Ricardo Goldbach

"Indiciada por fraude fiscal e lavagem de dinheiro, anunciou neste sábado (11/01/2014) que irá comparecer voluntariamente perante o juiz.

No comunicado, pediu que o depoimento seja feito o quanto antes. Segundo informações, a data marcada seria dia 8 de março. Os advogados tinham até quarta-feira para apresentar um eventual recurso sobre as acusações que se tornaram públicas esta semana.

O caso abre caminho para um processo sem precedentes contra um integrante da realeza, revelando-se dias depois de uma pesquisa mostrar que o apelo popular da família real caiu a seu nível mais baixo."

Exato, "família real". A notícia acima, cujo texto editei propositalmente, retirando apenas as referências geográficas e patronímicas, podia muito bem se referir ao que acontece na capitania hereditária do Maranhão -- também disponível no sabor "Amapá" --, mas diz respeito à filha mais nova do rei Juan Carlos da Espanha, a princesa Cristina. Conivente com crimes do marido, ela participou do desvio de verbas públicas no valor de € 10 milhões, por meio de uma fundação que se pretendia sem fins lucrativos. Na Espanha, um crime é chamado de "crime", mesmo quado cometido por membro da realeza; não recebe o etéreo e difuso apelido de "malfeito", como ocorre entre as elites de cá.

E o que a foto de Roseana Sarney faz aqui? É homenagem à sua promoção, de governadora a diretora do comitê gestor que pretende sanar as irregularidades cometidas por... ela mesma, no exercício do cargo de governadora. Coisas da aliança da direita com a ex-querda, de modo a evitar dissabores maiores para ambas em ano eleitoreiro eleitoral.

E o que Bakunin faz no título deste post? Pensar, o que ele sempre fez, conforme se pode ler à página 178 da tradução inglesa de sua obra "Gosudarstvennost' i Anarkhiia" ("Statism and Anarchy". Cambridge University Press, Cambridge, UK. 2002):

"What does it mean, 'the proletariat raised to a governing class?' Will the entire proletariat head the government? The Germans number about 40 million. Will all 40 millions be members of the government? The entire nation will rule, but no one will be ruled. Then there will be no government, no state; but if there is a state, there will also be those who are ruled, there will be slaves.

In the Marxist's theory this dilemma is resolved in a simple fashion. By popular government they mean government of the people by a small number of representatives elected by the people. So-called popular representatives and rulers of the state elected by the entire nation on the basis of universal suffrage -- the last word of the Marxists, as well as the democratic school -- is a lie behind which lies the despotism of a ruling minority is concealed, a lie all the more dangerous in that it represents itself as the expression of a sham popular will.

So, from whatever point of view we look at this question, it always comes down to the same dismal result: government of the vast majority of the people by a privileged minority. But this minority, the Marxists say, will consist of workers. Yes, perhaps of former workers, who, as soon as they become rulers or representatives of the people will cease to be workers and will begin to look upon the whole workers' world from the heights of the state. They will no longer represent the people but themselves and their own pretensions to govern the people. Anyone who doubts this is not at all familiar with human nature."

Em minha livre tradução:

"O que significa 'o proletariado elevado à classe governante'? O proletariado inteiro estará à frente do governo? Há 40 milhões de alemães. Todos os 40 milhões serão membros do governo? A nação inteira governará, mas ninguém será governado. Assim, não haverá governo nem Estado; mas, se houver um Estado, também haverá os que são governados, haverá escravos.

A teoria marxista resolve esse dilema de forma simples. Por governo popular eles entendem o exercício do governo por um pequeno número de representantes eleitos pelo povo. Denominá-los representantes do povo e governantes do Estado eleitos pela nação com base em sufrágio universal – a última palavra para marxistas e democratas – é uma mentira por trás da qual se esconde o despotismo da minoria governante, uma mentira mais perigosa pelo fato de essa minoria apresentar-se como expressão de uma pretensa vontade popular.

Assim, seja qual for o ponto de vista sob o qual se analise a questão, tudo leva ao mesmo e desanimador resultado: uma minoria privilegiada governando uma grande maioria. Mas essa minoria, dizem os marxistas, consistirá de trabalhadores. Sim, ex-trabalhadores que, ao se tornarem governantes ou representantes do povo, deixarão de ser trabalhadores e passarão a olhar para o universo de trabalhadores do alto das posições que ocupam no Estado. Não mais representarão o povo, mas a si mesmos e seus próprios desígnios de governar o povo. Quem duvidar disso desconhece a natureza humana."
[grifo meu]

À página 94 de seu livro, Bakunin propõe:

"German and Russia simultaneously appropriated a certain sum, say a million, to carry out some purpose, such as building a new ship. In Germany, do you think it would b stolen? Perhaps a hundred thousand, maybe even two thousand, but at least eight hundred thousand would go directly to the purpose at hand, which would be accomplished with all the efficiency and the competence for which the Germans are noted. And in Russia? First of all, half of it would be embezzled, and a quarter of it would be wasted as a result of negligence and ignorance, so that at most the remaining quarter would be used to knock together something that was falling to pieces, good for show but unfit for its purpose."

Traduzo novamente:

"Suponhamos que Alemanha e Rússia destinassem ao mesmo tempo uma soma de, digamos, 1 milhão, para um mesmo propósito -- a construção de um novo navio, por exemplo. Você acha que na Alemanha o dinheiro seria desviado? Talvez 100 mil, quem sabe até 200 mil o fossem, mas ao menos 800 mil seriam diretamente gastos no objetivo original, que seria alcançado com a eficiência e a competência que caracterizam os alemães. E na Rússia? Para começar, metade do dinheiro seria desviado, e um quarto seria desperdiçado como resultado de negligência e incompetência. Desse modo, o quarto restante seria utilizado para improvisar algo que iria cair aos pedaços -- bom para ser exibido, mas incapaz de cumprir sua função."

Com o preâmbulo acima, Bakunin justificava sua descrença em um desenlace favorável à Rússia, no que dizia respeito à disputa com a Alemanha pela hegemonia militar sobre o Mar Báltico, e seguia adiante em considerações geopolíticas.

Mas, deixando de lado o "B" de Bakunin e voltando ao "B" de Brasil, nesse ano de 2014 assistiremos à disputa por outra hegemonia, esta travada pelos candidatos aos postos de "Brazil's Next Top Gangsters" nos planos estadual e federal.

Os arcos de alianças curvaram-se tanto que suas extremidades se encontraram e se encostaram: ex-querda e direita combinam evitar lá em cima (entre as elites, tão execradas seja pelo lulismo pragmático, seja pelo lulismo ignorante, mas sempre pelos apóstolos de Lula) temas cabeludos como "mensalão", "trens paulistanos", "venda do pré-sal" etc, sobrando às faceiras militâncias feiceiras e tuiteiras alugadas -- vide "Núcleos de Militância em Ambientes Virtuais", por exemplo -- o papel de baixar o nível com mais liberdade, mais virulência e mais fervor religioso.

Cá em baixo, nas redes sociais amestradas, veremos mais e mais debates(?) baseados em categorias ideológicas tais como "covardia", "entreguismo", "privatismo", "fascismo", "estatismo" e "traição", e raciocínios com premissas baseadas em sólidos fundamentos cartesianos do tipo "eles estão desesperados", "a roubalheira de antes era maior" e por aí vai. Pelo visto, pensar é coisa que custa muito, mas a alegada verba de R$ 10 milhões compra a solução das demais dificuldades.

Depois é aguardar o resultado das urnas eletrônicas brasileiras, viciáveis e engravidáveis -- tanto assim que Eduardo Paes foi proclamado prefeito do Rio de Janeiro pelas urnas de 2008 --, urnas essas que foram reprovadas e proibidas pelas dezenas de países que as testaram.

Feliz 2015, neste Brasil cujo governo se pretende bom para ser exibido, mas é (e continuará sendo) incapaz de cumprir suas funções.

PS: Uma das funções que o governo atual não cumprirá (nem qualquer outro), é a de apurar como Roseana Sarney acumulou os US$ 150 milhões que detinha em sua conta nas paradisíacas Ilhas Cayman em 1999, segundo denúncia publicada no Wikileaks em 2009. Qual a origem do dinheiro, como Roseana declarou (se é que declarou) e a quanto monta hoje o saldo da conta no Banco Julius Baer (se é que não foi encerrada), são dados que não cabem na aritmética das alianças do petismo, hoje refém de tudo aquilo que combatia quando tentava conquistar credibilidade popularidade votos poder.




domingo, 8 de dezembro de 2013

Não custa googlar: ShiftN - uma maravilhosa solução para correção de perspectiva fotográfica

Ricardo Goldbach

Ao se usar uma objetiva grande angular é inevitável que ocorra o efeito Keystone, quando os paralelismos presentes na imagem passam a divergir ou convergir em direção ao topo, dependendo de a câmera estar apontada para baixo ou para cima, respectivamente. Em ambos os casos, quanto mais o eixo da objetiva estiver inclinado, maior será a distorção. Esse efeito também pode ocorrer em objetivas de maior distância focal, mas nas grandes angulares a coisa é muito mais dramática.

Uma solução é o uso de uma objetiva do tipo PC, do inglês perspective correction (correção de perspectiva). Ocorre que, além de uma PC Nikkor 24mm f3.5 custar cerca de US$ 2 mil, o fotógrafo deve se familiarizar (e muito) com as funções de shift, tilt e rotação, através das quais o eixo da objetiva é fisicamente deslocado ou girado de sua posição natural, o que altera o ângulo de incidência do círculo de imagem sobre o sensor (com a desvantagem de não poder haver tilt e shift ao mesmo tempo):

Objetiva manual PC-E Nikkor 24mm f/3.5D ED (imagem: B&H Photo)

Vendo os resultados de imagens que fiz com uma Tokina AT-X Pro 17mm f/3.5, não gostei da distorção exagerada que algumas fotos tinham. É bem verdade que o Photoshop dispõe de funcionalidades para corrigir o keystoning, como o filtro de correção de objetivas e a transformação de perspectiva, mas nunca fiquei satisfeito com os resultados. Foi quando deu o estalo: será que há coisas melhores por aí?

Googlei. Googlei e achei uma joia chamada ShiftN (download aqui), que pretendo manter sempre por perto. Trata-se de uma software autônomo, gratuito e de código-fonte aberto, e não de um filtro para o PS. Com apenas um clique, é possível obter o alinhamento das paralelas, ou mesmo forçar o ligeiro e agradável desalinhamento que transmite a sensação de perspectiva.

Assim, peguei minha imagem original, converti para JPG (o ShiftN não lê arquivos RAW),


e abri no ShiftN:


Pressionando o botão "Automatic correction", obtive o resultado abaixo. As linhas verdes, na imagem à direita, são as que o programa levou em consideração ao determinar a correção necessária, e as roxas são as que não contribuíram para a decisão. O ângulo limite para que uma linha seja considerada é configurável por parâmetro, em "Adjust correction", e é possível retirar uma ou mais linhas do conjunto originalmente identificado pelo algoritmo. Mais ainda, shift, rotação, distorção esférica e expansão da horizontal podem ser manualmente configurados de acordo com o grau de intervenção desejado.

A área em cor preta, à esquerda, corresponde à região (sem informação de imagem) que resultou da rotação do plano original:


O arquivo salvo, automaticamente cropado para eliminar a região escura, ficou assim:



Após uma leve correção de horizonte e um crop (via PS), o resultado final foi este:



Eu tenho uma relação algo purista com meu equipamento: sempre procuro deixar o mínimo de trabalho possível para a etapa de pós-produção; prefiro "fazer a foto" no instante do clique, por meio de posicionamento, composição e do óbvio triângulo ISO+abertura+velocidade. Mas é inegável que em casos como o acima o ShiftN é solução bem mais prática do que ter um kit de objetivas PC, a cerca de US$ 2 mil cada uma. Sem dúvida alguma.

Muito obrigado pela sua criação, Marcus Hebel.


Em tempo: é miraculosa a ausência de distorção esférica dessa AT-X Pro no corpo D300 (não FF), apesar da pequena distância focal: não há o que corrigir.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Creditar? Não acredito mais

ou "Lançar pândegas! Arrebitar os mequetrefes! Içar maçaricos e pleonasmos... Abordar!"  

por Ricardo Goldbach
 

Composição minha, de duas imagens de autoria desconhecida


O acaso é poderoso: muita coisa acontece por causa dele, por acaso. Há pouco tempo descobri, e por acaso, que uma foto de minha autoria foi usada para ilustrar cerca de 2/3 da primeira página de um jornal, o house organ de um daqueles megacondomínios da Barra da Tijuca.

Coisa bacana! Só faltou eu ter autorizado o uso do meu material. Com um exemplar em mãos, descobri mais: a "editora responsável"  -- não a conheço pessoalmente e refiro-me a ela assim, entre aspas, pelo fato de o expediente não identificar um jornalista sequer -- atribui a si mesma, genericamente, a autoria das fotos publicadas, salvo os casos em que ela decide dar crédito a um ou outro autor. Não foi meu caso. Coisa chata.

Deixei o assunto de lado, até porque (acho que eu já disse isso)
o expediente do veículo não identifica um jornalista sequer. Logo, eu não seria compreendido ao citar categorias tais como ética jornalística, direito de propriedade intelectual e outras. Deixei de lado. Coisa que acontece.

No dia de hoje, folheando a oferta de cursos da plataforma Coursera, um tema despertou meu interesse: "The Camera Never Lies", ministrado pelo Dr. Emmett Sullivan, do Departamento de História do Royal Holloway, University of London. "Já é!", pensei, "quero acompanhar o próximo".




Fiz uma rápida busca no Google para localizar referências mais específicas a respeito de um dos textos de leitura recomendada. Achei. Achei uma instituição chamada KayaLabs, que oferece o mesmo conteúdo programático, com idêntica apresentação (palavra por palavra, letra por letra) e idêntico programa (idem, idem) e até o mesmo erro de gramática -- sem qualquer referência que seja ao curso ou ao nome do Dr. Sullivan. A favor dos piratas, a atenção que demonstraram ao excluir a referência à universidade inglesa. Ah, sim, também tiraram o "The", do nome do curso, que é para não dar muito na vista:

 

Constatação (que novidade...): a Terra, que já foi chamada de "nave-mãe" de nossa jornada pelo espaço sideral, torna-se mais e mais uma nave pirata, em jornada através dos mares cheios de lodo e sargaço da amoralidade, da generalização fomentada pela internet, segundo a qual "se está ali é de graça, não tem dono, posso dizer que é meu".

Coisas às quais é preciso se acostumar.


sábado, 9 de novembro de 2013

George, sempre Harrison

"Watch out now, take care,
Beware of soft shoe shufflers
Dancing down the sidewalks
As each unconscious sufferer
Wanders aimlessly
Beware of Maya" 

(trecho de "Maya")

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Não é saudável, nem belo, nem dá para negociar

por Ricardo Goldbach

O blog "Saude Beleza e Negocio" (assim mesmo, sem acentuação nem vírgula) é mais uma das iniciativas amadorísticas a adotar a odiosa tática de fazer spam via celular. Coisa apócrifa, site sem dono nem link para contato, dá apenas para saber que uma tal Alessandra posta coisas por lá.

O tom de aviso de nova mensagem, em um celular, costumava representar comunicação de amigo ou familiar, ou então de business. Chamava a atenção, valia a interrupção da rotina de trabalho, mas não mais. Agora aquele tom também pode ser manifestação de gente sem noção, que acha que o mundo real é um grande Facebook, onde se entra na casa dos outros sem a menor cerimônia, ou cutuca-se o ombro de um desconhecido, como se amiguinho de balada ele o fosse.

PS: vai sem link para o site, que é para não gerar os page hits mercenários que Alessandra quer contabilizar no Adsense. Sempre desconfio de quem não mostra a cara. Comigo não, violão.

sábado, 26 de outubro de 2013

Enquanto isso, em Washington...

(imagem: transmissão da C-Span)


Com legendas em português, as vozes de outros denunciantes da atualidade, além das palavras do lendário Daniel Ellsberg (The Pentagon Papers, 1971):


"Stop Watching Us"

 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

DIY - Cabo de disparo da Nikon D300 (D300 trigger cord)

Ricardo Goldbach

Com a pinagem do soquete à mão, é fácil improvisar um cabo de disparo. Difícil é dar um acabamento bonito -- mas isso é outro projeto. Tenha cuidado ao encaixar e manusear os fios. O risco é seu.

It's a piece of cake when you know the pins' signals, but do it at your own risk. As for a nice looking assembly, that's a whole other story.