domingo, 26 de outubro de 2014

Sobre urnas eletrônicas, Papai Noel e Coelhinho da Páscoa

Ricardo Goldbach

Você acredita no resultado das urnas eletrônicas? Mesmo antes da divulgação dos resultados (não se trata de "choro de perdedor"), desde já não acredito no que vai sair delas. Já aconteceu no Rio de Janeiro (fonte primária: auditor do Banco Central emprestado ao TRE-RJ em 2008), pode acontecer no Brasil. Desde sempre. Para sempre.



Computer Voting Is Open to Easy Fraud, Experts Say




Diebold voting machines can be hacked by remote control
Exclusive: A laboratory shows how an e-voting machine used by a third of all voters can be easily manipulated




Electronic Voting Machines Still Widely Used Despite Security Concerns




How To Steal an Election With a Diebold Machine




Security Analysis of the Diebold AccuVote-TS Voting Machine
Ariel J. Feldman*, J. Alex Halderman*, and Edward W. Felten*,†
* Center for Information Technology Policy and Dept. of Computer Science, Princeton University
† Woodrow Wilson School of Public and International Affairs, Princeton University




FOX: Diebold Electronic Vote Fraud Confirmed




Diebold Voter Fraud Rumors in New Hampshire Primaries




Diebold Indicted: Its spectre still haunts Ohio elections




Diebold Pays $2.6 Million In CA Voting Machine Fraud



A urna eletrônica é realmente segura?

["O estudo mais polêmico sobre o tema, entretanto, foi o Relatório UNB (realizado por uma equipe de professores da instituição ao TSE). O relatório atesta a possibilidade de quebra do sigilo e uma possível adulteração dos votos. Em apenas um teste, conseguiu quebrar não apenas a suposta existência de um sigilo dentro das eleições no Brasil, como demonstrar que a transparência e auditabilidade se encontram prejudicadas com esse sistema. O TSE, como de praxe, minimizou os efeitos e afirmou que uma simples melhora do algoritmo poderia acabar com estes problemas. Resta saber como confiar em um aparelho cujo próprio tripé (sigilo, transparência e auditabilidade) não são respeitados ou, na melhor das hipóteses, são no mínimo de duvidosa apuração."]




Urna eletrônica pode ser fraudada? Especialistas explicam

["Uma das recomendações dos membros do Fórum do Voto Eletrônico é a introdução do voto impresso complementar para que o eleitor possa conferir se seu voto foi registrado corretamente na urna para permitir a auditoria independente da apuração do TSE. A iniciativa ocorre na Argentina, Israel, Estados Unidos, Equador, Bélgica, Canadá e Peru, de acordo com os especialistas."]




Fraude na urna eletrônica usada no Brasil: Resposta a perguntas e argumentos frequentes

["A insegurança incurável das urnas totalmente digitais não é uma conclusão minha, nem do CMInd, nem de todos os especialistas em computação que assinaram o "Manifesto dos Professores" de 2003, nem dos parlamentares brasileiros que aprovaram o voto impresso a partir de 2014. É a conclusão de praticamente todos os estudos independentes feitos sobre a segurança desse tipo de urna, no mundo inteiro, por comitês e órgãos de competência indiscutível (como o NIST americano, correspondente ao INPM brasileiro). Muitos desses estudos podem ser encontrados na internet a partir do sitio do Voto Seguro. Essas conclusões não são meras "afirmações de autoridade" (como são as afirmações do TSE), mas sim resultado de análises técnicas e demonstrações exaustivamente detalhadas nos respectivos relatórios, que qualquer um pode baixar e ler. Por conta desses estudos, nos últimos cinco anos, o mundo inteiro já se convenceu de que, com urnas totalmente digitais, o risco de fraude em massa é real e inaceitável. Vários países que haviam adotado esse tipo de urna já trocaram ou estão trocando por sistemas auditáveis --- com comprovante material de voto, ou mesmo para o velho sistema em papel."]

http://www.ic.unicamp.br/~stolfi/urna/FAQ.html


Band denuncia fraude nas urnas eletrônicas

[candidato a vereador não teve sequer o próprio voto computado]





Eleições chegando, já vou prevendo o de sempre

Outra de arquivo:

Ricardo Goldbach (mar/2012, com informações do "Los Angeles Times", edição de 13/09/2008) 

Eleições chegando, já vou prevendo o de sempre: vai ter mentira, difamação e golpe baixo. A parte um pouco menos horrorosa é que nada disso é nosso privilégio, já que Barack Obama é orientador de pós-doutorado naqueles temas.

Vai que na campanha de 2008 Obama disse, com todas as letras, sobre o oponente John McCain:

- Ele admite que não sabe usar um computador, sequer enviar um e-mail.

Obama podia ter ido mais longe ainda, garantindo que McCain não consegue pentear o próprio cabelo ou amarrar os cadarços dos sapatos. E é tudo verdade.

O que Obama podia ter descoberto - e que mais provavelmente fingiu não saber - é que, quando servia como piloto de combate no Vietnam, McCain teve que ejetar-se de sua aeronave sobre Hanoi, caindo prisioneiro dos vietcongues.

Na queda, sofreu fratura dos dois braços e de uma perna, dentre outros ferimentos. Mantido como prisioneiro de guerra por mais de cinco anos, aos traumas da queda somaram-se lesões permanentes resultantes de tortura.

Faz tempo que McCain precisa da ajuda da esposa para tarefas corriqueiras. Nenhuma delas é essencial ao exercício das funções da presidência, mas qualquer coisa serve aos que elaboram estratégias de campanha.

Em Tropa de Elite 2, "o inimigo agora é outro". No Brasil real, ele continua o de sempre, fácil de ser identificado: é aquele que pedirá nossos votos em outubro.


[Editado em 26/10/2014]


Entra eleição, sai eleição e os coleguinhas (ao menos da Globo e da Band) mostram que não têm ideia do que fazer com um microfone na mão: referem-se aos colégios (escolas) onde há urnas instaladas como sendo "colégios eleitorais". Ainda bem que o TRE não instala urnas em açougues e farmácias.

E o tal de "justificar o voto", em vez de "justificar a ausência [à seção eleitoral]" é de matar. Onde esse povo anda comprando diploma?




2014 repete 2010

SOBRE SOBRAS DO FLA-FLU

Entre um passado e outro,
de repente, o presente.
Entre dado e versão,
só sobra o espanto.
Soçobra o canto,
entre montanha e sertão,
do mar que é de gente.

Entre faca e punhal,
sobra o vermelho sangue;
entre azul e vermelho,
sobra o negro luto;
entre preto e branco,
sobra invisível cinza.

Entre noite e chuva,
sobra rastro
de cometa,
tão longe
que a vista não alcança.

Entre Lei e Lampião,
sobra lente
que silente mira,
mal respira ou balança -
bandidos à espreita,
nos tantos lados da direita.

Urnas (funerárias),
cinzas cinzas.
Podia ser um país,
mas foi tornado campinho
de várzea
de párias;
virou sobra,
cães rosnam,
disputam sobras,
sobrou só uma pausa

suspensa no tempo,
no tempo da esperança.

Ricardo Goldbach (out/2010)

Três homens foram enforcados

Ricardo Goldbach (fev/2010)

E vai que três homens foram enforcados em Londres, no ano de 1911, pelo suposto assassinato do juiz inglês Edmund Berry Godfrey. A execução se deu numa colina, que passou a ser chamada de Greenberry Hill. Os sobrenomes dos condenados eram Green, Berry e Hill.

 ---

... Brasília: bras... ilha... plana... altiplano, planalto, altos planos... ajuda... Arruda... círio Pará... para, Ciro!... chuva, temporal, nevasca, Neves... cachorros, cães, sarna, Sarney, dálmatas, Dilma, dilmatas... muitas delas, uma pá de putas, prostiputas lolitas dos deputados no Carlton Heartbreak Hotel, tolas lolas, lulices... céu negro, temerário, Temer... Não, nada dá liga com nada no Brasil -- volto para Greenberry Hill.

sábado, 9 de agosto de 2014

“Guernica” is a punctum by itself

Ricardo Goldbach













The aspect that visually strikes me in "Guernica" – let aside the horror of the message conveyed, or what Roland Barthes called the "studium" – is about the "punctum". "Punctum", as Barthes coined it, is that part of the image, the specific portion of it that emerges and stings the eyes and the feelings of the beholder. It's easier to understand the concept having in mind that "punctum" is the Greek work for "trauma". By the way, this is the root for the English words "point", "puncture" and "poignant".

An image's punctum is the point the eyes are guided to, to where the core message resides. And what comes immediately to my mind is that the whole painting is a punctum by itself.

When two humans meet, the eyes are the first connection point, and this also happens when an animal is close to a human, e.g, our pets, the mouth being a secondary source of expression.

When I stare at "Guernica" my eyes traverse the message conveyor, the profusion of eyes and mouths expressing the terror pounding both humans and animals, a lot of poignant puncti. At a second glance, the image makes me look for something different, as a non-punctum, and then come the two fragile lamps (hope) and, at both extremities of the scene, the two windows – escape routes far from the center of the annihilation stage, no way out.

[as posted at one of the discussion forums of the MOOC "The Camera Never Lies", led by Dr Emmett Sullivan, Royal Holloway and Bedford New College, University of London]

sábado, 26 de julho de 2014

Oswaldo Aranha faz falta

por Ricardo Goldbach

Foto: Reuters
Não demorou nada para a diplomacia brasileira baixar mais ainda o que já não estava no alto: o nível dos comunicados oficiais de estados-nações (é bom lembrar que não se trata – ou se trata?   de briga entre torcidas).

A coisa começa com a disparidade do número de mortos nos dois lados do atual conflito no Oriente Médio. O governo Dilma Rousseff, que inicialmente (17/7) condena os ataques bilaterais, apelando para o bom senso dos litigantes, muda de vento e poucos dias depois (24/7) acusa Israel de "uso de força desproporcional". 

Em 25/7, no dia seguinte, o porta-voz da chancelaria israelense, Avigdor Lieberman, diz, textualmente, que:
"Essa é uma infeliz demonstração de por que o Brasil, um gigante econômico e cultural, se mantém um anão diplomático. O relativismo moral por trás desta medida transforma o Brasil num parceiro diplomático irrelevante, que cria problemas em vez de contribuir para soluções."
No mesmo dia, o Brasil chama seu embaixador em Israel para consulta, velho clichê diplomático para "estou esfriando nossas relações".

Israel se explica sobre a desproporcionalidade, dizendo algo como "há desproporcionalidade em um placar de 7 a 1, mas não estamos falando de futebol". Eu acho que entendi a mensagem: o placar sinistro só estaria empatado caso Israel desativasse suas defesas antimísseis. Desse modo, os milhares de foguetes disparados contra Israel teriam feito milhares de vítimas – 2.000 a 2.000 no placar, e a diplomacia brasileira, que mostra prescindir de diplomatas, voltaria a dormir sobre um muro bem menos incômodo.

No dia seguinte, entretanto, Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, mostrou que dos jornais só leu as manchetes, que diziam "Israel chama Brasil de 'anão diplomático'", fora do contexto (é claro, manchete não tem espaço para contexto), e mostrou-se um calouro em alfinetadas diplomáticas. Subiu (desceu?) o tom na quadréplica ao porta-voz da Chancelaria de Israel, Yigal Palmor: "ele é o sub do sub do sub do sub do sub do sub". No meu entendimento, a bravata burra de Garcia equivale às grosserias berradas contra Dilma na abertura da Copa da Fifa recém-encerrada – coisa vulgar, violenta e vazia. Mas Garcia, isso não é arquibancada de futebol...

Hoje, 25/7, a diplomacia brasileira diz que está reagindo a ação de Israel. Reagindo a quê? Segundo minha memória, quem reagiu foi o comunicado que fez questão de relativizar o "7 a 1" que veio depois do sucinto "anão". E é de se lembrar que o início do recrudescimento das tensões deveu-se ao sequestro e assassinato a sangue frio, por palestinos, de três adolescentes israelenses, Gil-Ad Shaer, Naftali Fraenkel e Eyal Yifrah. Em reação a essas mortes, três radicais israelenses sequestraram e mataram um jovem palestino, Mohammed Abu Khder. Os três criminosos israelenses estão presos, aguardando julgamento. E isso escala facilmente para a reação à reação à reação à reação... e assim voltaremos a Adão e Eva.

Ou podemos voltar apenas à Resolução 181 da Onu, de 29 novembro de 1947, que estabeleceu a Partilha da Palestina. Aquela decisão foi violada em 14 de maio de 1948, enquanto as tropas britânicas ainda se retiravam da região, por uma coligação militar composta por Síria, Egito, Líbano, Jordânia e Iraque  com apoio de Iêmen e Arábia Saudita , que tinha a manifesta intenção de "empurrar Israel para o mar". Se é para condenar violação às resoluções da Onu, pode-se muito bem começar por aí. Daí em diante, é "reação à reação à reação à reação..."

Agora Oswaldo Aranha é lembrado pelo coro midiático que reage à síntese de "anão diplomático" como sendo o responsável-mor pela criação do Estado de Israel ("não há nada de 'anã' na diplomacia brasileira!", grita-se). É fato insofismável, mas é fato do passado. Duvido que Aranha deportasse atletas cubanos em busca de asilo no Brasil, ou que endossasse as inacreditáveis palavras do ex-presidente Lula em 9 de abril de 2013, referindo-se a Mahmoud Ahmadinejad, o ex-mão de ferro do Irã: "se ele [Ahmadinejad] diz que vai  processar urânio para fins pacíficos, não temos por que duvidar". Não, não mesmo. Oswaldo Aranha estava mais para a diplomacia do que para o MMA verbal de Marco Aurélio Garcia. Não adianta tentar trazer Aranha para o palanque dessa triste comédia. Decididamente, o diplomata Oswaldo Aranha faz falta.

PS: quem quiser ver que tipo de desinformação distorce compreensões, basta googlar "Pallywood", o apelido de uma indústria de fraudes jornalísticas que mais prejudicam do que ajudam a causa palestina.

Pallywood é o braço de comunicação de grupos assassinos que só não se matam entre si de vez porque conseguiram inventar uma guerra mais rentável, a jihad contra Israel. Mudando de nomes, mas com as mesmas motivações, usando escudos humanos e bombardeando escolas e lanchonetes, de pai para filho, desde 1948.

PS2: Como amostra de como a desinformação leva gente assim como a correnteza leva gado – mesmo que não haja má-fé , lembro que há alguns anos um professor da PUC-RJ, o renomado físico Jean Pierre von der Weid, chegava à sua casa, no Jardim Botânico, quando foi rendido por dois assaltantes. Os criminosos invadiram a residência, espancaram e imobilizaram o professor, estupraram sua esposa e partiram levando bens saqueados. Alguns anos se passaram e, diante da divulgação do retrato do "pedreiro" na mídia, o casal de vítimas reconheceu de imediato um dos algozes. Ele mesmo, o hoje "herói" Amarildo. Minha fonte é uma diretora aposentada da PUC-RJ, cujo nome reservo-me o direito de omitir. 

Resumindo a história: se a polícia tivesse conseguido prender o estuprador do passado, a sociedade desinformada não teria seu "herói" de hoje. Tudo é claro quando não é escurecido.



Abrindo comportas na economia -- irrigação ou inundação?

por Ricardo Goldbach

Não sou economista, mas de vez em quando me pego pensando nos humores dos nossos dinheiros. Melhor dizendo, naqueles que determinam os humores dos nosso dinheiros.

Como dizia Goulart de Andrade, vem comigo: os bancos são obrigados a depositar no Banco Central um percentual específico dos depósitos à vista. Dessa forma, o governo controla a liquidez da economia brasileira, com injeção ou retirada de recursos. Figurativamente falando, trata-se de um "pulmão", que encolhe ou expande na medida da necessidade.

Mas vai que nesses tempos de inflação em disparada, de juros recordistas, de economia em contração e de população endividada (e de urnas à vista, não nos esqueçamos), que tipo de genialidade nos é apresentada? Abrem-se hoje as comportas do pulmão, injetando R$ 45 bilhões... inicialmente, nos bancos. Os bancos emprestarão esse novo dinheiro, a juros altos, a uma clientela endividada e aflita com a inflação, para...

... "para aquecer a economia, pois os juros deverão cair", dizem os tecnocratas e a mídia amestrada. "Entrará dinheiro na economia, com aumento do consumo, com o consequente reaquecimento das indústrias, que gerarão empregos para empregados que comprarão mais, com o que ensejarão aumento de recolhimento de impostos..." Só faltou combinarem com os russos, porque esse esquema tático pode embolar o meio de campo e beneficiar apenas...

... apenas a indústria do ágio oficializado, dos bancos que exibem lucros sempre crescentes, quer sob gestão FHCista, quer Lulista. Para que essa indústria seja a primeira a se reanimar. Depois virão os empréstimos para pessoas físicas ("se a parcela couber no bolso, pago os juros que forem") e jurídicas ("é isso, encolher, ou – pior --, fechar as portas"). Tipo pirâmide, entende? Quem entra por último nunca se dá bem. Como dizem os analistas de economia, quando não têm o que dizer, resta esperar para ver o que acontece.


sábado, 12 de julho de 2014

Praticamente tudo já foi dito sobre a Seleção do Felipão

mas me ocorrem uns drops sobre a Selecinha do Felipinho

por Ricardo Goldbach

Logo de cara, gol contra

Dizem que aos dois minutos do 1º tempo van Persie bate um pênalti e marca o 1º gol da Holanda. Para mim, foi gol contra de Thiago Silva, pela leviandade, pela imaturidade, pela molecagem de ter puxado a camisa de van Persie a centímetros da entrada da grande área.

Piada pronta

Ao 16 minutos, em bela finalização, Daley Blind marca o 2º gol da Holanda. Está tão fácil bater no Brasil, que até cego faz gol.

Humilhação

Enquanto escrevo, durante o intervalo da partida, a seleção holandesa está no vestiário e com todo o direito de sentir-se humilhada. Afinal de contas, só 2 x 0?

Substituições

Um jogador contundido ou que tenha rendimento baixo é substituído durante o jogo; juíz e auxiliares, imagino, devem ter backup, pois também pode acontecer de se machucarem com gravidade. E quanto a um técnico como o Felipinho, que vê qualidades, boa campanha e bons resultados onde ninguém mais vê? Não deveria poder receber cartão vermelho, dando lugar a um técnico do banco?

Os Céus me pouparam

Mal começa o 2º tempo, cai a Net. Que Cristina Kirchner, conterrânea do Papa, nos proteja a todos. 

Vaias

A Net volta a tempo de eu ver o time do técnico Luiz Felipífio Scolari receber as merecidas vaias pelo 3 x 0 que a Holanda escreveu no placar. Vaias essas que partiram da mesma "elite branca" que vaiou a presidente Dilma, essa que finge que não é branca, muito menos elite. Afinal, todos sabem que pobre não pode assistir final de Copa no Maracanã, por maior que seja o apagão moral do PT, time composto por uma elite de brancos -- e asseclas de outros partidos, de todas as cores e credos morais -- que insiste em fingir que não ouve a vaia das ruas.

Sem ilustração

Este post vai sem ilustração. Não há o que ilustrar.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

O depois não existe

sobre Ivan Junqueira e Dylan Thomas

 por Ricardo Goldbach




Há cerca de dois anos, revisando a tradução legendada do filme “A Love Song for Bobby Long”, empaquei com o texto do tradutor. Em dado momento, Bobby, interpretado por John Travolta, recita o poema “To Others than You”, de Dylan Thomas, cujos versos iniciais são:


Friend by enemy I call you out.
You there, with a bad coin in your socket,
You my friend there with a winning air
Who palmed the lie on me when you looked
Brassily at my shyest secret

No 2º verso, o tradutor escreveu “Você aí, com pés de barro”, mas não fiquei convencido. Tudo indicava a possibilidade de tratar-se de uma expressão idiomática – regional ou não , mas “pés de barrro” soou longe demais.

Googlei possíveis significados da expressão, e a maioria de blogs e sites de legendagem amadorística reproduzia os tais “pés de barro”. Não satisfeito, resolvi consultar tradutores (com “T”) que tivessem se debruçado sobre a obra de Dylan Thomas.

Busquei e encontrei o acadêmico Ivan Junqueira (cadeira 37 da ABL), crítico, poeta e tradutor consagrado de Dylan Thomas e Baudelaire, que havia transposto aquele verso para “Tu com tua falsa moeda”. Apesar de o dever profissional me impôr aceitar a tradução de Ivan, eu ainda não estava satisfeito.

Fui atrás das origens de Thomas, nascido no País de Gales, e descobri que em pequenas cidades galesas diz-se que não adianta tentar se livrar de uma moeda desgastada ou defeituosa (a bad coin), pois ela sempre voltará: é usada para pagar a conta da padaria, o padeiro usa-a para pagar o leiteiro, que por sua vez paga o sapateiro... Em algum momento, a moeda retorna à origem. Não adianta insistir; ela sempre volta, por mais indesejada que seja. É uma boa imagem, essa, que tanto pode estar por trás do verso de Dylan, como pode não estar.

O fato é que somente graças à Internet eu pude conhecer o dito popular galês. Ainda me resta dúvida quanto ao porquê de “socket”, mas isso são outros quinhentos. Ocorreu-me então que, como não havia Google à época da tradução de Junqueira, seria interessante conversar com ele sobre repensar traduções literárias consagradas, dessa vez à luz das pesquisas hoje viabilizadas pela Internet, em busca de revisões plausíveis.

Sempre pensando em expôr minha ideia a  Ivan, não o fiz. Nem o farei mais; os jornais informam que Ivan Junqueira se foi, neste 3 de julho de 2014. 

Me dou conta de que, se o “ótimo” é inimigo do “bom”, o “depois” é o inimigo do “para sempre”.


quinta-feira, 15 de maio de 2014

Manifestação popular é briga de torcida, ex-querdista Emir?

por Ricardo Goldbach

Os "vira-latas" a que o twiteiro se refere são manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto de São Paulo.

É sinal dos tempos ver o emir ex-querdista não sader o que diz. É sinal dos tempos ver a base alugada se enraivecer (isso está planejado no tal "discurso do medo"?).




quarta-feira, 14 de maio de 2014

Rio voa? Voa, sim senhor

por Ricardo Goldbach

Desde sempre (mas daqui a pouco não mais) a umidade do ar amazônico é carregada pelo vento para outros cantos do Brasil. Resultante da evaporação das águas do rio Amazonas e do ar úmido da floresta, essa massa de ar, equivalente à própria vazão do rio Amazonas e conhecida como "rio voador", é transportada para o sul, pelos ventos, e acaba favorecendo a ocorrência de chuvas nas regiões que atravessa. Com o antológico e criminoso desmatamento da Amazônia, no entanto, o rio voador tende a não decolar mais, parando de irrigar nossos céus.

Fica claro, então, que o quadro de desabastecimento de água e energia que agora se vê em São Paulo nada tem a ver com categorias ideológicas tais como "picolé de chuchu" e "quatro dedos", como as massas alugadas teimam em bradar nos feicebuques da vida. O esvaziamento das represas paulistas não tem solução à vista nem a prazo -- Cantareira vai continuar a ser motivo de choradeira, enquanto criminosos engravatados continuam a patrocinar a transformação de madeira amazônica em dólares cuja origem a Polícia Federal tenta rastrear, no Maranhão e arredores, mas é impedida de descobrir.


Como diz a doutora sem doutorado que preside o Brasil, "a pasta de dente saiu do dentifrício". A festa acabou, agora é tarde demais para reverter o quadro. Qualquer quadro, melhor dizendo.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Galaxy S3 Mini storage and battery drain issues [solved]

by Ricardo Goldbach


Revisiting the Android scene after a sabbatical year, I replaced my dust gathering Xperia X10 Mini Pro (a nano device when compared to the name length) by a Samsung Galaxy S3 Mini. For starters, rooting a stock rom is nowadays a breeze. Among plenty of kits available out there I picked Mark Skipper's (includes Odin for ADB and an interactive shell script), well worth the donation.

Next step was to find out who "the man" was when it comes to porting CyanogenMod versions to particular devices (I miss Paul, a whiz-kid in the Sony Ericsson scene). Browsing XDA-Developers, I opted-in for Maclaw's porting shop. Older versions of Jelly Bean available, I took the memory lane up to the present, beginning with the Jelly Bean 4.1.2 (CM 10.0). Among a few bugs, some battery drain issues and the vicious "insufficient storage available" message after installing a few apps.

The S3 Mini doesn't allow moving apps to the external card, as the internal 8GB memory space is split in two halves, one of them being an emulated external memory card (go figure why...). Traditional apps (Link2SD and it's likes) can't do their tricks here: they don't know how to handle this anomalous external slot.

No remedy came out from browsing some forums; lots of naive suggestions as "get yourself a 32GB card", "wipe Dalvik cache" or "uninstall some apps" are there. The ubiquitous "reformat and reinstall everything" silver bullet also has lots of fans, but... no can do.

Good thing is both battery drain and insufficient storage issues have workarounds. Roy True posted an ingenious solution here as for the storage problem, and I solved my particular battery drain issue by myself, through managing a surfaceflinger service side effect, and also by some fine grain tuning provided by System Tuner. More on this later.

PS: I'll stick to the stable and responsive Maclaw's KitKat 4.4.2 (CM 11.0) despite the ever growing Google agenda on disregarding privacy issues. But... yes can do.

Edit:

A step by step solution for the storage issue can be found here.

Galaxy S3 Mini - armazenamento insuficiente e descarga de bateria [resolvido]

Ricardo Goldbach

Depois de um ano sabático, volto a usar o Android. Em vez de retomar de onde parei, no Sony Ericsson Xperia X10 Mini Pro (o nome é maior que o aparelho), vou de Samsung Galaxy S3 Mini. Logo de cara, me dei conta de que rootear não dá mais o trabalho que dava -- virou uma brincadeira de criança, com o kit do Mark Skippen, da SkipSoft, por exemplo. Valeu a doação que fiz. 


Com a stock rom rooteada, gastei algumas horas no XDA-Developers para saber quem era "o cara" da vez, na cena de ports do CyanogenMod para Samsung. Gostei muito do trabalho do Maclaw, que até se dá à pachorra de continuar polindo versões mais antigas do Android. No site maclaw.pl é possível baixar o Jelly Bean 4.1.2 (CM 10.0), por exemplo.

E foi por esse JB que comecei, para logo descobrir alguns problemas sérios (no CM e no Samsung, não no port do Maclaw). Os mais comuns são a rápida descarga da bateria (principalmente durante a carga!) e a infame mensagem de "insufficient storage available" depois da instalação de apenas uns poucos aplicativos.

Contornar a restrição de espaço por meio da instalação de aplicativos no cartão externo é uma (aparente) impossibilidade, pois o GS3 emula um cartão externo através de memória instalada na placa-mãe, e aplicativos dedicados à migração (como o Link2SD) recusam-se a montar um "segundo" slot externo para fazer a transferência.

Nenhum dos palpites encontráveis em páginas de discussão ajuda muito quanto a esse segundo obstáculo, tais como "instale um cartão de 32GB no slot externo", "reconstrua o Dalvik cache" e o indefectível "reformate tudo e reinstale o Android", que é a melhor sugestão para quem só conhece essa, passando pelo ingênuo "desinstale alguns aplicativos".

A parte boa é que o problema de espaço tem uma engenhosa (e prosaica) solução, que descobri num post bem humorado do Roy True, e, quanto à bateria, resolvi sozinho meu problema: o serviço chave é o surfaceflinger, e o System Tuner fez o resto. Mais sobre isso em outro post.

PS: o KitKat é show de bola; vou ficar na 4.4.2 (CM 11.0) do Maclaw, em que pesem os crescentes aspectos negativos relacionados à privacidade do usuário. Mas isso é coisa que tem jeito.

Editado:

O passo a passo para a solução do problema de armazenamento está aqui.





domingo, 12 de janeiro de 2014

Bakunin, Brasil e "Brigas" políticas -- O BBB de 2014

Princesa Cristina anunciou que vai depor na Espanha sobre fraude fiscal e lavagem de dinheiro
por Ricardo Goldbach

"Indiciada por fraude fiscal e lavagem de dinheiro, anunciou neste sábado (11/01/2014) que irá comparecer voluntariamente perante o juiz.

No comunicado, pediu que o depoimento seja feito o quanto antes. Segundo informações, a data marcada seria dia 8 de março. Os advogados tinham até quarta-feira para apresentar um eventual recurso sobre as acusações que se tornaram públicas esta semana.

O caso abre caminho para um processo sem precedentes contra um integrante da realeza, revelando-se dias depois de uma pesquisa mostrar que o apelo popular da família real caiu a seu nível mais baixo."

Exato, "família real". A notícia acima, cujo texto editei propositalmente, retirando apenas as referências geográficas e patronímicas, podia muito bem se referir ao que acontece na capitania hereditária do Maranhão -- também disponível no sabor "Amapá" --, mas diz respeito à filha mais nova do rei Juan Carlos da Espanha, a princesa Cristina. Conivente com crimes do marido, ela participou do desvio de verbas públicas no valor de € 10 milhões, por meio de uma fundação que se pretendia sem fins lucrativos. Na Espanha, um crime é chamado de "crime", mesmo quado cometido por membro da realeza; não recebe o etéreo e difuso apelido de "malfeito", como ocorre entre as elites de cá.

E o que a foto de Roseana Sarney faz aqui? É homenagem à sua promoção, de governadora a diretora do comitê gestor que pretende sanar as irregularidades cometidas por... ela mesma, no exercício do cargo de governadora. Coisas da aliança da direita com a ex-querda, de modo a evitar dissabores maiores para ambas em ano eleitoreiro eleitoral.

E o que Bakunin faz no título deste post? Pensar, o que ele sempre fez, conforme se pode ler à página 178 da tradução inglesa de sua obra "Gosudarstvennost' i Anarkhiia" ("Statism and Anarchy". Cambridge University Press, Cambridge, UK. 2002):

"What does it mean, 'the proletariat raised to a governing class?' Will the entire proletariat head the government? The Germans number about 40 million. Will all 40 millions be members of the government? The entire nation will rule, but no one will be ruled. Then there will be no government, no state; but if there is a state, there will also be those who are ruled, there will be slaves.

In the Marxist's theory this dilemma is resolved in a simple fashion. By popular government they mean government of the people by a small number of representatives elected by the people. So-called popular representatives and rulers of the state elected by the entire nation on the basis of universal suffrage -- the last word of the Marxists, as well as the democratic school -- is a lie behind which lies the despotism of a ruling minority is concealed, a lie all the more dangerous in that it represents itself as the expression of a sham popular will.

So, from whatever point of view we look at this question, it always comes down to the same dismal result: government of the vast majority of the people by a privileged minority. But this minority, the Marxists say, will consist of workers. Yes, perhaps of former workers, who, as soon as they become rulers or representatives of the people will cease to be workers and will begin to look upon the whole workers' world from the heights of the state. They will no longer represent the people but themselves and their own pretensions to govern the people. Anyone who doubts this is not at all familiar with human nature."

Em minha livre tradução:

"O que significa 'o proletariado elevado à classe governante'? O proletariado inteiro estará à frente do governo? Há 40 milhões de alemães. Todos os 40 milhões serão membros do governo? A nação inteira governará, mas ninguém será governado. Assim, não haverá governo nem Estado; mas, se houver um Estado, também haverá os que são governados, haverá escravos.

A teoria marxista resolve esse dilema de forma simples. Por governo popular eles entendem o exercício do governo por um pequeno número de representantes eleitos pelo povo. Denominá-los representantes do povo e governantes do Estado eleitos pela nação com base em sufrágio universal – a última palavra para marxistas e democratas – é uma mentira por trás da qual se esconde o despotismo da minoria governante, uma mentira mais perigosa pelo fato de essa minoria apresentar-se como expressão de uma pretensa vontade popular.

Assim, seja qual for o ponto de vista sob o qual se analise a questão, tudo leva ao mesmo e desanimador resultado: uma minoria privilegiada governando uma grande maioria. Mas essa minoria, dizem os marxistas, consistirá de trabalhadores. Sim, ex-trabalhadores que, ao se tornarem governantes ou representantes do povo, deixarão de ser trabalhadores e passarão a olhar para o universo de trabalhadores do alto das posições que ocupam no Estado. Não mais representarão o povo, mas a si mesmos e seus próprios desígnios de governar o povo. Quem duvidar disso desconhece a natureza humana."
[grifo meu]

À página 94 de seu livro, Bakunin propõe:

"German and Russia simultaneously appropriated a certain sum, say a million, to carry out some purpose, such as building a new ship. In Germany, do you think it would b stolen? Perhaps a hundred thousand, maybe even two thousand, but at least eight hundred thousand would go directly to the purpose at hand, which would be accomplished with all the efficiency and the competence for which the Germans are noted. And in Russia? First of all, half of it would be embezzled, and a quarter of it would be wasted as a result of negligence and ignorance, so that at most the remaining quarter would be used to knock together something that was falling to pieces, good for show but unfit for its purpose."

Traduzo novamente:

"Suponhamos que Alemanha e Rússia destinassem ao mesmo tempo uma soma de, digamos, 1 milhão, para um mesmo propósito -- a construção de um novo navio, por exemplo. Você acha que na Alemanha o dinheiro seria desviado? Talvez 100 mil, quem sabe até 200 mil o fossem, mas ao menos 800 mil seriam diretamente gastos no objetivo original, que seria alcançado com a eficiência e a competência que caracterizam os alemães. E na Rússia? Para começar, metade do dinheiro seria desviado, e um quarto seria desperdiçado como resultado de negligência e incompetência. Desse modo, o quarto restante seria utilizado para improvisar algo que iria cair aos pedaços -- bom para ser exibido, mas incapaz de cumprir sua função."

Com o preâmbulo acima, Bakunin justificava sua descrença em um desenlace favorável à Rússia, no que dizia respeito à disputa com a Alemanha pela hegemonia militar sobre o Mar Báltico, e seguia adiante em considerações geopolíticas.

Mas, deixando de lado o "B" de Bakunin e voltando ao "B" de Brasil, nesse ano de 2014 assistiremos à disputa por outra hegemonia, esta travada pelos candidatos aos postos de "Brazil's Next Top Gangsters" nos planos estadual e federal.

Os arcos de alianças curvaram-se tanto que suas extremidades se encontraram e se encostaram: ex-querda e direita combinam evitar lá em cima (entre as elites, tão execradas seja pelo lulismo pragmático, seja pelo lulismo ignorante, mas sempre pelos apóstolos de Lula) temas cabeludos como "mensalão", "trens paulistanos", "venda do pré-sal" etc, sobrando às faceiras militâncias feiceiras e tuiteiras alugadas -- vide "Núcleos de Militância em Ambientes Virtuais", por exemplo -- o papel de baixar o nível com mais liberdade, mais virulência e mais fervor religioso.

Cá em baixo, nas redes sociais amestradas, veremos mais e mais debates(?) baseados em categorias ideológicas tais como "covardia", "entreguismo", "privatismo", "fascismo", "estatismo" e "traição", e raciocínios com premissas baseadas em sólidos fundamentos cartesianos do tipo "eles estão desesperados", "a roubalheira de antes era maior" e por aí vai. Pelo visto, pensar é coisa que custa muito, mas a alegada verba de R$ 10 milhões compra a solução das demais dificuldades.

Depois é aguardar o resultado das urnas eletrônicas brasileiras, viciáveis e engravidáveis -- tanto assim que Eduardo Paes foi proclamado prefeito do Rio de Janeiro pelas urnas de 2008 --, urnas essas que foram reprovadas e proibidas pelas dezenas de países que as testaram.

Feliz 2015, neste Brasil cujo governo se pretende bom para ser exibido, mas é (e continuará sendo) incapaz de cumprir suas funções.

PS: Uma das funções que o governo atual não cumprirá (nem qualquer outro), é a de apurar como Roseana Sarney acumulou os US$ 150 milhões que detinha em sua conta nas paradisíacas Ilhas Cayman em 1999, segundo denúncia publicada no Wikileaks em 2009. Qual a origem do dinheiro, como Roseana declarou (se é que declarou) e a quanto monta hoje o saldo da conta no Banco Julius Baer (se é que não foi encerrada), são dados que não cabem na aritmética das alianças do petismo, hoje refém de tudo aquilo que combatia quando tentava conquistar credibilidade popularidade votos poder.