domingo, 1 de fevereiro de 2015

Execução em Brasília

Ricardo Goldbach

Depois de intensas porém malsucedidas negociações, o grupo de mercenários conhecido como al-Base executou há poucos minutos o candidato oficial à presidência da Cãmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia.

Restam vivos os reféns Dilma Rousseff, PT e Brasil, mas as chances dos dois primeiros são incertas, pois as torneiras dos mensalões estão quase secas, além de vigiadas pelo MPF e pela Polícia Federal, o que inviabiliza novas, digamos, negociações.

Da nação brasileira, a refém maior desse pôquer mafioso que se joga no Congresso, pouco se pode falar, a não ser que para ela nada irá mudar (para melhor, ao menos) durante os próximos quatro anos.

Já no Senado Federal, a manutenção de Renan Calheiros na presidência manteve os sorrisos nos rostos de Saney, Collor e outras eminências pardas do, digamos, projeto político do PT.


domingo, 25 de janeiro de 2015

Sobre Mike, cordas e cadarços

Ricardo Goldbach

Outro dia mencionei o Mike e resolvi revê-lo, matar saudades. Replico este texto dele, de janeiro de 2010:

"Muito estranho o LHC, aquele anel magnético lá na Suiça, tipo assim um Red Bull de elétrons. Para a teoria do campo unificado dar liga, tem que existir mais umas nove dimensões, além das quatro que a gente conhece, e tem mais. Tem que os átomos e as partículas subatômicas, que a gente aprendeu no colégio que são assim umas bolinhas muito pequenas, que nem no microscópio a gente vê, não são bolinhas.

Não é que dizem que elas tem uma dimensão? Que são tipo assim umas retas no espaço? Que se chamam cordas e supercordas? Que vibram? Que dependendo da frequência de vibração elas ganham suas identidades, tipo assim "Ah, é? Você vibra a 2GHz? Então você é um méson pi. Próxima..." E tem o bóson de Higgs, xiii... (alô revisão, não é "13...", é "xiii...", mesmo), esse é o tal, ele atribui grave responsabilidade ao gravitron, que é atribuir gravidade às massas, como se as massas já não estivessem em estado grave.

Mas aí tem gente que acha que lá na Suiça, lá no LHC, eles vão fazer o mundo acabar. Imagine só, esse mundo lindo! Tá certo que os rios estão ficando cheios de bolhas de sabão, tem também as motoserras, o José Serra, a Galisteu, os mercados de derivativos... já não tem tanta lula nem baleia no mar... tem cada vez mais pinguço no bar... já não tem tanto francês na França... Quer saber? Que se dane, deixa os cadarços pra lá."


Palavras. Ora, as palavras...

"Bare lists of words are found suggestive to an imaginative and excited mind."
(Ralph Waldo Emerson, "The Poet", 1844)


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Samsung Galaxy S5 Mini first custom ROM ever [WIP]

by Ricardo Goldbach
RGold55




After having done some alpha and beta testing of first G800H (Qualcomm) TWRP ever, as developed by my Indian bro Rutvik Rajagopal, aka rutvikrvr (xda dev), I'm glad to announce that he is cooking the very first custom ROM (as of now) for Samsung Galaxy S5 Mini.

Stay tuned for more!

05/24/15 - UPDATE: jackeagle presents Bliss Pop Rom (Lolipop 5.1.1) for G800H at xda-developers.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Emburrece, Brasil!

Ricardo Goldbach

De molho, com o pé quebrado e embrulhado em quilos de gesso, dedico-me ao ócio passivo nessa noite de segunda-feira. Isso, esse mesmo. Presto atenção àquele aparelho de promoção eletrônica do emburrecimento coletivo, a televisão (que Mike costuma chamar de "telementirão").

Está começando o "XPTO em Pauta", naquele canal que borra visualmente toda e qualquer referência a marcas comerciais que não contribuam para o caixinha da empresa, mesmo que se trate de matéria jornalística. Nada de marca de tênis em camiseta de entrevistado, nada de logotipo em caminhão que apareça distante, ao fundo de uma tomada. Portanto, "XPTO em Pauta", mesmo.

Divirjo, mas volto ao assunto. A ex-estagiária começa a falar. Passados menos de 2 minutos, ouço algo como "A chuva em São Paulo ela causou muitos estragos". Repito mental e inutilmente a mesma pergunta de sempre. Como assim, "A chuva ela"? A "chuva" já não é sujeito de oração o suficiente? Que diabos "ela" está fazendo aí? Está bem, está certo: é o modismo -- que batizo de "pronomismo" --, sucessor do gerundismo que assolou o dócil rebanho há algum tempo, o mesmo gerundismo que já mereceu o deboche dos pronomistas de agora... E Jorge Benjor vem vindo, do fundo da minha mente: "♫ Os pronomistas estão chegando, estão chegando os pronomistas ♪" Mentira, eles estão aí já faz algum tempo, da presidência da república ao balconista de boteco.

Preparo-me para o que possa vir em seguida (e sempre vem). Bingo! Sou informado de que as condições meteorológicas de São Paulo causaram "raios e descargas elétricas". Hein? Raios e descargas? Que raios as descargas fazem aí, se já há raios? Não tem jeito; como dizia o sábio Vicente Matheus, quem está na chuva é para se queimar. E, com essa chuva de São Paulo, haja queimação.

Queimo-me pois, à luz do Sol, sem filtro e sem piedade. Vai que, à luz dos refletores, a mesma criatura dispara, certeira e confiante: "A vitamina D vem do Sol". Catzo! E eu que achava que do Sol vinham apenas ejeções de massas coronais, raios gama, infravermelhos e ultravioletas, fótons e outras partículas e raios menos votados.

Desisto. Desligo. Não sou da geração "Chaves", mas penso que o mexicano e sua trupe deviam ser coisa mais instrutiva do que isso aí em cima, do que esse neojornalismo de improviso, exercido por despreparados. Afinal de contas, pensar não custa nada e dói menos que injeção.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

"False arrests won't stop us covering Israel's occupation"

Ricardo Goldbach

Não gosto de fazer meros copy&paste, muito menos sem comentários meus, mas aqui vai uma importante relato sobre como a liberdade de imprensa está sendo cerceada pelo exército israelense na Cisjordânia.

Antigamente as identificações profissionais de jornalistas israelenses traziam a seguinte frase: "A polícia de Israel deve dar assistência ao portador deste documento."  Não mais. Segue o testemunho do jornalista Gideon Levy, do Haaretz, publicado hoje (25/12) e encerrado com a promessa: "Continuaremos a cobrir a ocupação [da Cisjordânia]."

--

On Monday of this week we drove to the village of Artah, south of Tul Karm, to report yet another story of the evil of the occupation, this one particularly infuriating and sad. The photographer Alex Levac and I were in Artah, intending to return home to Tel Aviv. The soldiers at Checkpoint 407 were surprised to see Israeli Jews leaving from the direction of Tul Karm. We showed our press cards and told them that we had been accustomed to going everywhere in the West Bank for more than 25 years.

Thus began an episode in the theater of the absurd that lasted until evening. The Israeli army and the Israel Police kept us in custody for about the next nine hours. The soldiers confiscated our car keys and identity documents lest we run for our lives. We were not allowed to get out of the car, even for a moment. One insolent soldier was insulted on account of nothing and the police were summoned on account of nothing. The police did not even ask us what had happened – and just like that, we were “detained.”

We were put inside a “Caracal” – an armored, reinforced metal monster with barred windows – and we drove for about an hour to the Ariel police station. There we were questioned and fingerprinted. Mug shots were taken of us for the criminals’ photo album, and we were subjected to humiliation. On the way there, I thought about the Palestinian children whom these police arrest and place in this same metal monster and what they endure. The police officers said we were being “detained” – a euphemism for arrest. When we asked to go to the bathroom, the duty officer barked: Not without an escort. The detective said we were endangering national security.

The police station in Ariel is a place to see. There is a photograph of a rabbi on the wall of the interrogation room, and a thick-bearded man walked freely around the station, offering Hanukkah donuts to the police officers and asking if they had put on tefillin that day.

The allegations: violating an emergency order and insulting a soldier. The law books contain no statutes about insulting a journalist. Even as we were on our way to Ariel, we heard the false accusation that came from the army, and then the official statement of the Judea and Samaria District Police: We had spat at the soldiers. First the “murdering” pilots (which I never wrote), and now the “spitting libel” (I never spat on them). If we were suspected of having spat at soldiers, it is easy to imagine the intolerable ease with which the soldiers could say, falsely, that a Palestinian had pulled a knife at a checkpoint or threatened them a moment before they shot him dead.

This could have been a negligible story if it did not signal the ill wind that is blowing in the Israel Police and in the army: journalists are a nuisance (in the best case) and a hostile element (in any other case). Israeli press cards from years ago bore the following sentence: “The Israel Police is asked to assist the bearer of this card.”

It never occurs to the police in the territories to assist journalists; they usually try to sabotage their work, with the army beside them. Even the sanctimonious concern that IDF Spokesman’s Office personnel express for journalists’ safety – the explanation given for why any entry into Area A must be coordinated with that office – is flawed by a basic lack of understanding. Some professions are dangerous, and journalism is not doing its job by “coordinating” with the authorities. The authorities’ intention is clear: to close the West Bank to scrutiny, or at least to make it hard for journalists to work there. Gaza has been closed to Israeli journalists for about eight years – a scandal in itself – and journalists bow their heads in surrender. That must not be allowed to happen in the West Bank too, even if only a tiny group of people still shows the slightest interest in what goes on there.

They let us go in the evening. The Israeli Police’s APC brought us back to the checkpoint. The case awaits a decision. Another decision is obvious: We will keep on covering the occupation.


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Carta aberta a Dilma Rousseff

ou "Chame o síndico!"

Ricardo Goldbach

É de embasbacar, dona Dilma, mas passados 14 anos desde que o Partido dos Trabalhadores assumiu o poder, Lula descobre que "o povo quer mais ética". É assim que ele classifica em seu blog o recado das eleições de 26 de outubro de 2014.

Dois erros, zero acertos e uma omissão. Em primeiro lugar, é de estranhar que só agora o óbvio seja admitido. Coisas da retórica, é o que pode ser dito em favor dele. E é só o que pode ser dito em favor dele, não mais.

Em segundo, não existe essa coisa de "mais ética", assim como não existe "meia ética"; trata-se de um conceito binário: existe ou não. Há caráter ou não há; existe a enorme necessidade de deturpar o idioma, com a sua asquerosa substituição de "crime" por "malfeito" e outras artimanhas igualmente orwellianas, ou não existe – e Orwell já dava lições de contabilidade criativa; está lá para quem tiver olhos de ver. Você viu, dona Dilma?

A conveniente omissão do seu mentor diz respeito ao fato de no 1º turno o Brasil ter rechaçado o ausente programa de governo do PT, dando ao partido 41,49% dos votos. Não é pouco, mas não é aprovação. Já no 2º turno, foi a baixaria que seus marqueteiros patrocinaram, que sua militância adestrada copiou e que não merece ser dissecada novamente.

Ainda está em meus ouvidos a demagógica fala final do seu discurso de posse em janeiro de 2011: "Agora, com licença, que eu vou cuidar do meu povo". Engano seu, dona Dilma: você não foi eleita nem reeleita para "cuidar do seu povo".

Mal comparando e bem descrevendo, uma chefa de governo – está bem, eu me rendo – não é mais que uma síndica de prédio, que recolhe e administra as taxas que mantêm funcionando um bem comum, ou uma res pública, como é o caso aqui, tudo de acordo com a Convenção do Condomínio. É só isso que o “seu povo” quer, já estará de bom tamanho. Então chega de amenizar seus próprios crimes com o infantojuvenil argumento de que "eles fizeram pior, eles roubaram mais que nós". Roubo, assim como ética, existe ou não existe. Não há doutor sem doutorado, dona Dilma, que me prove o contrário.

Faça então seu papel de síndica: pare de deixar o dinheiro da reforma do elevador ir para o novo carrão do subsíndico, evite que as lâmpadas de iluminação da portaria sejam compradas pelo triplo do preço do bazar da esquina. Explicando melhor: faça o serviço para o qual você foi contratada e é paga para fazer. E isso inclui execrar e perseguir os ladrões de ontem, desde que você, dona Dilma, tenha igual empenho para execrar e perseguir os de agora, desse minuto, desse segundo em que escrevo. Deixe de ser cartola de time de futebol, comece a ser chefa de governo. Ainda dá tempo. Vai começar o 2º tempo.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O Gerente de Catecismo da Petrobras, esse jabuti

Ricardo Goldbach

Ontem um GE (gerente-executivo) da Petrobras reuniu funcionários para uma palestra. Lá pelas tantas, depois de tentar explicar o inexplicável, a refinaria de Pasadena, passou ao proselitismo político característico de sindicalistas guindados a posições para as quais estão absolutamente despreparados. Como se sabe, sindicalistas são preparados para ser... sindicalistas. Gestão são outros 500, jamais outros 13 ou 171.

Desperdiçando tempo e dinheiro da União, dos acionistas e dos funcionários concursados, ele reproduz diálogo que manteve(?) com um vizinho seu. Segundo minha fonte, foi algo assim:

- Viu que legal? O filho do porteiro entrou para a faculdade X. – diz ele.

- Que absurdo, é a faculdade onde meu filho estuda! Ele vai estudar ao lado de pobre?!  – indigna-se o vizinho.

Ora, esse tipo de doutrinação ideológica, essa incitação a uma pretensa luta de classes, esse diálogo fabricado em escritório de marquetagem, só convence a um indigente intelectual. Somente soa verídico para quem gosta de encarar a arena política como uma arena da Roma antiga, onde valia tudo e de onde apenas um combatente podia sair vivo. É assim que pensa e age a maioria dos militantes dos grandes partidos – sejam os da direita azul, da verde ou da vermelha, dessa ex-querda que envergonha a nação sempre que tem oportunidade.

Houve época em que se dizia, na esquerda (a antecessora da ex-querda), que a solução para o Brasil era minar o sistema por dentro. A saída era fazer parte da máquina e alterá-la aos poucos, uma vez lá dentro.

Mas, como sabiamente lembra Bakunin, trabalhadores despreparados, quando alçados ao poder, deixam de ser trabalhadores e passam automaticamente à condição de elite. E, como insiste a natureza humana, defender os próprios interesses é primordial, é disso que se trata. Essa é a ex-querda, um amálgama de despreparados e alianças pragmaticamente contraditórias.

Não é à toa que o lulopetismo faz tanta questão de execrar as elites (espertamente, sem dizer diretamente a quem se refere); antigamente, o consciente coletivo associava elite a banqueiros, sem um pestanejar que fosse. Hoje em dia o lulopetismo anda de braços dados com os favores dos bancos (vide balanços sempre recordistas), sem falar nas alianças capazes de fazer corar um prostíbulo inteiro, com Katia Abreu, Sarney, Collor et caterva. Como pega mal falar mal do aliado alugado, elite é elite e pronto. Cada um que imagine a elite que quiser.

Minar o sistema por dentro podia ser uma ideia interessante, mais produtiva do que dar tiros de tresoitão em um tanque verde-oliva. Por outro lado, esquecer-se do discurso original ao virar elite e mostrar, à luz do dia, que não há projeto substitutivo algum, só pode dar no que está dando. 

O PT lembra o cão que corre atrás de um carro, esgoelando-se de tanto latir, mas que fica quieto quando o carro para, e abana o rabo, com cara de bobo. O lulopetismo faz pior do que o cão: alcançou o que queria, virou elite e faz de conta que ainda tem vontade de latir. Com isso consegue enganar mais da metade do eleitorado. Só não percebe quem quiser fazer papel de bobo, quem quiser dar ouvidos aos Gerentes de Catecismo da Petrobras e assemelhados  a esses jabutis que aparelham o alto das árvores, lá colocados pelos que desejam o Palácio do Planalto como morada eterna.


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Da série "tudo já estava escrito" (1)

Posses, prostíbulo 12:veículo 13

E no décimo ano
a maçonaria
de terras do norte
aliou-se ao óleo
de terras do sul.

E todos viram
que era bom
e todos se regozijaram.

E comemoraram
com cânticos de louvor,
vinho, tinta de caneta,
e muitas danças,
as novas e férteis alianças.

Em meio ao clamor
e ao júbilo,
os contratos cresceram,
prosperaram
e se multiplicaram.

E todos viram
que era bom
e todos se regozijaram.


Ricardo Goldbach
(publicado no ex-Facebook em 24/01/2012)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Dilma não gosta de sinais vermelhos

Ricardo Goldbach

Este post dispensaria palavras, diante das duas emblemáticas imagens publicadas neste dia 04/12. Uma criança pobre refresca-se nas águas de um bueiro, enquanto um bocejante prócer da elite do PT aguarda sua parte do refresco, sob a forma de dinheiro público, para isentar a arrogante monarca presidente Dilma Youssef Rousseff do crime de responsabilidade que cometeu (leis 1.079/1950 e 12.952/2014) ao gastar demais e planejar de menos durante o exercício desenvolvimentista-populista-eleitoreiro-fiscal de 2014:

Foto: Givaldo Barbosa
Foto: Marcelo Piu




O fato é que Dilma gosta da cor vermelha, mas não gosta de parar em sinais vermelhos. Nada mais lógico então, segundo a lógica mafiosa adotada aqui no Venezuéxico, do que mandar seus bem pagos capos arrancarem da frente dela todos os sinais de trânsito. Pronto, ela fugiu do indiciamento e do processo. Outra criminosa malfeitora à solta.

Parafraseio o que creio ser de Luiz Almeida Marins:
"Não existe um país chamado Brasil; o que existe é um país chamado Brasília, e o resto é território de exploração."
E depois me pergunto: por que não colocarmos Luis Fernando Costa (a.k.a. Fernandinho Beira-Mar) na presidência da república e acabarmos, de uma vez por todas, com esses intermediários avermelhados (por interesse) e despreparados (por natureza)?




quarta-feira, 26 de novembro de 2014

00America

by Ricardo Goldbach

My response to an "all Ferguson need is love" flavored article published at LinkedIn

--

So Michael Brown case is closed, after a jury of not that much peers – as St. Louis demographics clearly depicts -- issued the verdict. And that inevitably brings to my mind the slaughtering of Kajieme Powell, also perpetrated by police officers, less than 4 miles away from the spot where Brown was slayed, just ten days having passed.

On Aug 19, 2014, two trigger happy officers obeyed to a Powell's bravado, "Come on, shoot me!", and emptied their magazines at him. Just to make sure orders were strictly followed, four more bullets were shot after Powell was already down. Then, adding corpse desecration to the first crime, one officer turns the laying body around so as to comply to a handcuffing standard procedure. It was all caught on tape. I'm eager to see what 00America, with its widespread license to kill, has to say about that. Facts are not that arguable nor that prone to be twisted as in Brown's case. I'm waiting to see if vere is dictum.


domingo, 23 de novembro de 2014

O infinitivo flexionado, esse desconhecido

Ricardo Goldbach

E vai que, lendo matéria sobre o que se convencionou chamar de "tecnologia", me deparo com:
— Definiticamente estamos vendo os crimininosos focar a sua atenção em dispositivos móveis. Isso ocorre porque passamos mais tempo agora com aplicativos e telefones do que com desktops — afirmou ele à "BBC".
Quatro coisas chamaram minha atenção:

- o "Definiticamente", que comprova que os jornais estão cortando despesas com corretores ortográficos, com jornalistas ou com ambas as coisas (eu apostaria nesta última hipótese);

- o emprego do desagradável e onipresente modismo "focar", que denota comportamento de rebanho, falta de criatividade ou ambas as coisas (eu apostaria nesta última hipótese);

- a falta de concordância entre "criminosos" e "sua atenção", que mostra... Bem, já deu para entender;

- por fim, o uso incorreto da flexão do infinitivo – "estamos vendo os criminosos focar". E era aqui que eu queria chegar.

Você diria Vamos sair para jantarmos? Não, certamente não. Isso não "soa bem aos ouvidos". Mas que regras fazem com que algo soe bem aos ouvidos e à gramática, tudo junto, ao mesmo tempo, agora?

A mais simples é: a quais sujeitos se aplicam os verbos em questão?

Na frase acima, há apenas um sujeito, nós (está oculto, mas está lá). Assim, se o verbo da primeira oração – sairemos ("vamos sair") -- já está no plural, não se flexiona o verbo da segunda oração. Fica jantar, mesmo, e não jantarmos: Vamos sair para jantar. O sujeito é o mesmo, nós

Repita comigo: se o sujeito é o mesmo, não vou flexionar o verbo da segunda oração.

Agora vamos a um contraexemplo, uma frase com duas orações e dois sujeitos diferentes:
Eles nos convidaram para sairmos.
Parece errado? Pode até parecer, mas não é. Se são dois sujeitos (eles e nós), então são duas flexões independentes.

No próximo exemplo fica mais clara a importância da boa flexão do infinitivo; é um daqueles casos em que a escrita pode mudar totalmente o sentido das coisas. Observe a enorme diferença de significado entre as frases:
Estou me preparando para sair.
(sairei sozinho)  
Estou me preparando para sairmos. 
(sairemos juntos, mas, aparentemente, só eu me dedico à preparação)
Estamos nos preparando para sair.
(todos nos preparamos para sair e sairemos juntos)
Estamos nos preparando para sairmos. 
Já o quarto exemplo... Isso, ele está errado; você já pegou o espírito da coisa: quem manda é o sujeito da segunda oração, ao ser o mesmo (ou não) que o da primeira.

Aliás, o sujeito influencia um bocado uma outra situação -- o uso da vírgula em oração coordenada sindética aditiva --, mas isso fica para outro post. Enquanto isso, vamos vendo os criminosos focarem suas atenções no que lhes interessa, como é de se esperar. Até.


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Pensucinto

Ecos da ex-querda: o ciclo se fechou, a mamata para a Katia quase se Abriu.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Sobre helipontos e poetas

por Ricardo Goldbach

Sou do tempo em que jornalistas brasileiros precisavam (e sabiam) escrever no próprio idioma. Mesmo antes que eu estudasse Jornalismo -- coisa que fiz tarde na vida, se é que algo na vida acontece tardiamente -- eu já apreciava e namorava a beleza da boa expressão. Jornalistas de hoje escreveriam "Sou do tempo onde", como é de praxe no portuguismo que ignora o correto uso de "onde". Aonde Onde eu estava? Ah, sim, no portuguismo, esse filho bastardo da união entre o modismo e a aprovação automática em escolas primárias e universidades, em cujas as aulas de reeducação ideológica se ensina que "crime" e "malfeito" são sinônimos, além de outras baboseiras.

Leio hoje, na edição do jornalão online, alguém escrevendo sobre as suaves inquietudes que assoberbavam um momento de trivialidades passageiras (entendo isso, também já fui apaixonado por mim mesmo; hoje em dia, me gostar me basta). Mas vai que na mesma edição está lá, em matéria sobre o mercado imobiliário:  "Dos americanos, apenas 7% escolheram um heliporto no telhado como um item indispensável para a casa de luxo".

E bota luxo nisso, já que, ao contrário do que se aprende nas páginas do feicebuque, um heliporto é composto de ponto de aterrisagem, estação de embarque e desembarque de cargas e passageiros, e por aí vai. No telhado de uma casa menor que o Taj Mahal ou o Palácio do Planalto caberia no máximo um heliponto: Mestre Aurélio ensina que "heliponto" é uma "porção de solo ou água, ou estrutura artificial, usada para pousos e decolagens de helicópteros". Por exemplo, com um balde de tinta e 25 metros quadrados de chão já dá para fazer um heliponto. Deu para perceber? Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, e ambas são muito diferentes entre si. Mas são coisas que só um jornalista medianamente preparado precisaria saber.

Já o Português e o portuguismo igualam-se com a velocidade e a letalidade de ebola linguístico cuja a vacina está sendo destruída no dia dia dia a dia, nas redações, nas escolas e no Twitter, até que um país inteiro seje seja incapaz de processar as mensagens que lê e ouve, e que se consolide de vez "o pântano enganoso das bocas" a que se referia -- ainda que em outro contexto -- o poeta Thiago de Mello.

[editado]

Dia seguinte, no jornalão, em matéria sobre necessidade de economia de água:


46 mil litros de água para um único banho? Litros de água seriam "disperdiçados"? Então tá. Estamos combinados. E mal pagos: não é de hoje que a redação do Globo acolhe reprovados no Enem.